A seca castigou as lavouras de café em Marilândia, no Noroeste do Espírito Santo e o momento mais esperado pelos produtores rurais tem gerado desânimo. Segundo o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, o INCAPER, a queda de produção no município será de 30% comparado ao ano passado.

O produtor rural Renato Camatta já começou a colheita do precoce, variedade de café maturada antes do tempo. Ele reclama da qualidade do fruto. O cafeicultor tem 13 mil pés de café conilon no município e já chegou a colher 400 sacas, mas neste ano não espera nem 50. A queda é de quase 90%.  “A qualidade do café está péssima, para pilar é uma tristeza. O dono de secador e máquina de pilar estão reclamando muito. O fruto está bem menor, ano passado você não via uma caroçada dessa, de forma nenhuma”, lamentou. O cafeicultor contou que o trabalho da colheita deve ser feito apenas pela família. Com a produtividade menor, foi a forma que encontrou de reduzir os custos. Renato costumava contratar até três trabalhadores para ajudar no cafezal.

O produtor rural André Noventa também está certo do prejuízo. De 500 sacas que colheu no ano de 2015, ele só deve colher 120. A queda representa quase 76% na produção. “Se eu esperar a produção desse ano, é 100% de certeza que eu não tenho como pagar as minhas obrigações financeiras. Acredito que não paga nem os custos de produção”, declarou André.

A queda na produção é decorrente da seca que a região tem enfrentado. Com a falta de chuva, os reservatórios de água secaram. O pesquisador do Incaper Abraão Carlos Verdin explicou o fenômeno. “Várias floradas com temperaturas muito altas e o deficit hídrico muito acentuado, deu-se essa situação”.

Um dos principais municípios produtores de café do estado, Marilândia chegou a produzir 280 mil sacas em 2014. Em 2015 a produção teve uma redução de 30% por causa da estiagem. E o INCAPER prevê, para este ano, mais uma queda de 30%. Com a queda da produtividade, muitos cafeicultores de Marilândia que fizeram empréstimos para ampliar a plantação não sabem como vão pagar as dívidas. Renato Camatta diz que se tiver que pagar o banco vai ter que passar necessidade. André Noventa pede para que o Governo Federal perdoe a dívida dos produtores.

O Ministério da Agricultura informou que as dívidas poderão ser renegociadas, mas não serão perdoadas.